Carlos Vergara

Carlos Vergara

CARLOS VERGARA

Santa Maria, Rio Grande do Sul, 1941

Carlos Vergara vive e trabalha no Rio de Janeiro. Sua produção artística, iniciada nos anos 1960, é marcada por um vigor poético e pela constante exploração de diferentes linguagens e suportes. Nos anos 1970, destacou-se por investigar a identidade nacional por meio de alegorias à natureza, criando murais, painéis e ambientes imersivos em parceria com arquitetos em diversos países, utilizando técnicas artesanais brasileiras. Durante esse período, no efervescente cenário cultural do Rio de Janeiro, Vergara registrou fotograficamente a boemia e os grupos marginalizados. Em sua série sobre o Carnaval, capturou a força coletiva em plena Ditadura Militar. Parte do movimento da Nova Figuração Brasileira, propôs uma abordagem que desafiava as divisões entre arte e artesanato, erudito e popular.

Nos anos 1980, Vergara participou da Bienal de Veneza e de importantes bienais no Brasil, como a Bienal de São Paulo, além de exposições internacionais, consolidando sua posição como um dos principais artistas brasileiros contemporâneos. Nessa década, voltou à pintura, abandonando o figurativismo e incorporando pigmentos naturais e minérios, refletindo uma ética de transformação da matéria em arte. Suas obras integram importantes coleções, como as do MAM Rio, da Pinacoteca de São Paulo e do MAC Niterói, entre outras.

Imagem que é parte da section do projeto maravilha

Arte é para olhar para fora, para ajudar a olhar para dentro.

Carlos Vergara

Carlos Vergara: Um corpo no mundo

Carlos Vergara inscreve-se em uma linhagem de artistas que fazem da caminhada e da exploração não apenas uma prática estética, mas também uma ética de engajamento com o mundo. Suas incursões por trilhas, matas e florestas revelam uma busca incessante por compreender e registrar as marcas deixadas pelo tempo e pela cultura nos mais diversos ambientes. Com o corpo em movimento, ele traça novos mapas e reinterpreta antigos caminhos, numa jornada que é tanto física quanto espiritual. Suas monotipias são exemplo de trabalhos que capturam esse encontro direto com a paisagem, numa forma de marcar o terreno onde a natureza e a história se entrelaçam.

Essa prática, que se devota à experiência e mergulha o artista no mundo de forma tão visceral, também convida o espectador a assumir um papel ativo na experiência estética. Vergara não oferece apenas obras para serem contempladas, mas lentes através das quais se pode redescobrir o ambiente ao redor. O corpo do artista, em movimento, torna-se uma extensão do corpo do espectador, possibilitando novas formas de ver e entender o mundo. Ao adentrar esses espaços e propor novas narrativas, Vergara nos lembra da importância de estar presente, de se inscrever no tempo e no espaço, e de participar ativamente na construção de sentido.

Ulisses Carrilho – Curador

Imagem que é parte da section do projeto maravilha
Carlos Vergara